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A Festa de Mulundús de 1923, de Firmino Teixeira do Amaral: Um retrato poético de devoção e alegria popular

A obra “A Festa de S. Raymundo Nonato dos Mulundús de 1923”, de Firmino Teixeira do Amaral, é um livro de cordel de 1924 publicado pela anti...

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A Festa de Mulundús de 1923, de Firmino Teixeira do Amaral: Um retrato poético de devoção e alegria popular


A obra “A Festa de S. Raymundo Nonato dos Mulundús de 1923”, de Firmino Teixeira do Amaral, é um livro de cordel de 1924 publicado pela antiga Typogravura Teixeira, de São Luís (MA). A obra é uma testemunha da celebração religiosa e cultural, que marcou o imaginário popular do interior maranhense. Com versos rimados e linguagem coloquial, o autor narra com entusiasmo os acontecimentos da festa de São Raimundo Nonato dos Mulundús do ano de 1923, exaltando a fé dos romeiros, a fartura econômica e a efervescência social que transformou a comunidade Mulundús em um verdadeiro polo de encontro entre tradição e modernidade.

Mais do que uma simples crônica festiva, o cordel revela os contrastes e as nuances da vida sertaneja: o sertanejo abastado que chega com comboios de produtos, o matuto que busca a bênção e a donzela, os botequins e bailes que rivalizam com a igreja. Na obra, Firmino constrói um mosaico de vozes e experiências que eterniza a festa como um momento de comunhão, prosperidade e identidade regional. Preservado pela Biblioteca de Obras Raras Átila Almeida (Universidade Estadual da Paraíba - UEPB), em Campina Grande, o cordel é, ao mesmo tempo, um documento histórico e uma celebração poética da alma nordestina.
 
Firmino Teixeira do Amaral (1896–1926) foi um poeta e jornalista piauiense, nascido em Bezerro Morto. Trabalhou como seringueiro e tipógrafo em Belém do Pará. Destacou-se na Editora Guajarina, criando o gênero "trava-língua" e escrevendo sobre a cultura nordestina. Sua obra mais famosa é "A Peleja de Cego Aderaldo com Zé Pretinho do Tucum", adaptada para música por Nara Leão e João do Vale, em 1964. Firmino faleceu jovem, aos 30 anos, deixando um legado importante na poesia popular brasileira.
 
Confira o cordel completo na íntegra:
 
Salve! 22 de Agosto
Gloria dos Mulundús
Data que começa a festa
Que a todo mundo sedúz
Lá S. Raymundo Nonato
Recebe o romeiro grato
Que sua promessa condúz.

Salve! dacta referida
Vinte e dois do mez de Agosto
Bate nos peitos dizendo
Velhos caducos sem gosto
Para mim só S. Raymundo
Uma festa que todo mundo
Quanto mais vai mais tem gosto.

Esta gloriosa festa
Escrevo a terceira vez
De S. Raymundo Nonato
Do anno de vinte tres
Apesar de não ter ido
Não me sahiu do sentido
O vinte e dois desse mez.

Um dos piratas me disse
Tudo que passou-se alli
Eu como já conheço
Fiz pontuação aqui
Como tenho os olhos abertos
O mundo é dos mais espertos
Cada qual puxa pra si.

No anno passado a festa
Teve um grande movimento
De cinema e botequins
Bailes, hoteis e cazamento
O algodão deu dinheiro
Couro de bode e carneiro
Todo pato tinha o vento.
 
Quem nunca viu dez mil réis
Brincou com nota de cem
O jogador arrumou-se
O ambulante tambem
Botou bucha o joalheiro
O pato tendo dinheiro
O pirata tombem tem.

Um afanador me disse
Muluudús foi rio de mina
Porem como em vinte e tres
Nunca vi tanta menina
Muitos nem foram á egreja
Bebendo vinho e cerveja
No baile do ponta-fina.

Com a alta do algodão
E a do côco babassú
Todo pato criou penna
E vestiu todo urubú
Se tinha sonho verdadeiro
Com o fogo do dinheiro,
Cazou-se no Mulundú.

Ai! se Deus fizesse um anno
Dois ou tres de mez de Agosto
Alli não se vê tristeza
Tudo vadeia com gosto
Dinheiro alli não tem dono
Nem a mocidade somno
Nem namorado desgosto.

Tudo alli tem com bondade
Café bom, dôce e o queijo
Dono de hotel se arranja
Botequins faz seu manejo
Barbeiro alli bota bucha
Rapariga dansa e luxa
A custa do sertanejo.

Quem assistiu vinte tres
Dirá melhor do que eu
O ponta-fina alimpou-se
Nos ricos bailes que deu
Quem foi lá repare e note
Nem se falIa no Themoteo
Parece que já morreu.

Se Themotheo era um dos dunga
Da secção de brincadeira
Era o homem mais fallado
Alli daquella ribeira
Me disseram em Therezina
Que o baile do ponta-fina
Já lhe cortou a carreira.

Me disse uma rapariga
Que um mez inteiro chorou
Com penna do ponta-fina
E dum chodó que deixou
E jurou por esta luz
Eu só vou a Mulundús
Pela paixão que ficou.

Outra me disse a verdade
Fallou no bom portuguez
Nos Muluudús nunca teve
Festa como em vinte tres
Rapariga botou manto
Duzentos, duzentos e tanto
A mais ratuina fez.

Assim foi muito occorrida
De toda parte veio gente
Uns para pagar promessa
Outros a festa somente
Tudo al1i parece irmão
Uma completa união
Tudo risonho e contente.
 
Vem de cem legoas distante
O sertanejo abastado
Com grande comboio de fumo
Corona, sella e calçado
Requeijão e rapadura
Tudo alli tem com fartura
Tudo alli é felizardo.

De toda parte veio gente
Suas promessas pagar
Outras para conhecerem
Que a tempo ouvia falar
Quem vae a primeira vez
Vai uma duas ou tres
Ou nunca mais perderá.

Vem lá do centro da matta
A trigueirinha batuta
Que para pagar promessa
Passou o anuo na lucta
Gorda faceira e Iustroza
Faces lindas côr de rosa
Que nem parece matuta.

Vem o matuto roceiro
Num bom cavallo de sella
Com um rifle a tiracol
Um cinturão com fivella
Mas antes de se benzer
Primeiro vai conhecer
A rifinha da donzela.

Outros quando vão chegando
Primeiro vão á igreja
Para beijar o santo altar
Que a muito tempo deseja
Vindo de longa viagem
Rendendo grande homenagem
Ao santo que se festeja.

Quem nunca assistiu a festa
Tem desejo e vontade
De conhecer Mulundús
Festa rica sem bondade
Pelo boato que vejo
Todo mundo tem desejo
De conhecer a verdade.

A festa de S. Raymundo
Fica central e distante
Mais apezar disso tudo
E' rica bella e galante
Gabada por todo mundo
A festa de S. Raymundo
E' a mais interessante.

E' a festa mais fallada
Do Estado de S. Luiz
E' o santo mais milagroso
Assim todo mundo diz
E' dizer de todo mundo
Quem se pega com S. Raymundo
Pode-se julgar feliz.

Literatura e memória: Em podcast, Saulo Barreto faz um mergulho na arte de escrever e na pesquisa histórica


Durante entrevista em podcat do canal Hipertexto, o poeta e filósofo Rogério Rocha promoveu um bate-papo enriquecedor com o escritor e pesquisador Saulo Barreto. A conversa leva os ouvintes a uma viagem pelo fascinante mundo dos livros, literatura e do processo criativo, citando obras e autores como George Orwell, Franz Kafka, Machado de Assis, Murilo Rubião, Isaac Asimov e muitos outros, compartilhando suas experiências como leitor e escritor, além de falar sobre a dedicação à pesquisa histórica que moldou sua carreira literária.

Com um olhar profundo e apaixonado sobre a literatura, Saulo Barreto destaca seus projetos e a importância da memória cultural da literatura em geral. O episódio se torna ainda mais interessante com a apresentação do seu mais recente trabalho, “Diários de Josué Montello: as urdiduras da criação romanesca e a busca da fluidez do eterno inacabado”. A obra revisita a vida e o legado do renomado escritor maranhense Josué Montello, trazendo à tona nuances e detalhes que ajudam a entender sua contribuição para a literatura brasileira. Link da obra na Amazon:  https://a.co/d/9XooAxp.

Ao longo da conversa, os ouvintes são convidados a refletir sobre a influência de Montello na literatura contemporânea e a importância de revisitar suas histórias que moldaram nossa cultura. Com insights poderosos e uma prosa envolvente, Saulo Barreto oferece uma perspectiva única sobre a interseção entre literatura e memória histórica.


Saulo fala ainda, sobre sua dedicação à escrita e como a leitura moldou sua visão de mundo. Ele reflete sobre os desafios e as alegrias de ser um autor contemporâneo, além de discutir a importância da pesquisa na construção de suas narrativas. A conversa é um convite para que os ouvintes conheçam não apenas o escritor, mas também o homem por trás das palavras, que busca sempre conectar passado e presente em suas obras. Por fim, falou ainda de seu próximo projeto, o livro de contos “As Quatro Estações”, com lançamento previsto para o próximo semestre.
 

O poeta Rogério Rocha também falou de seu último lançamento o livro “Frágeis Artefatos: Poemas sobre a beleza e a fragilidade das conexões na modernidade.” Link da obra “Frágeis Artefatos” na Amazon: https://a.co/d/ffjemMc.

Confira esse bate-papo inspirador e se deixe envolver pelo universo literário repleto de descobertas. Acesse e inscreva-se no Canal Hipertexto, e mergulhe nessa fascinante conversa, que destaca as belezas e os desafios da arte do ofício de escrever. Acompanhe a entrevista na íntegra pelo link https://youtu.be/z3IZb7KYLPQ?si=hjsGMsf3Tfnc8DdP.

Romance “De Onde Eles Vêm” retrata as transformações sociais e os desafios dos cotistas nas universidades

Foto: Livraria Baleia

O escritor Jeferson Tenório, autor do premiado “O Avesso da Pele”, lançou recentemente seu novo livro “De Onde Eles Vêm”, publicado pela Companhia das Letras e que aborda a entrada dos primeiros estudantes cotistas nas universidades públicas brasileiras. A obra, que tem como pano de fundo a política de cotas raciais, narra a trajetória de Joaquim, um jovem negro que enfrenta desafios e preconceitos ao ingressar na universidade.

Tenório, que também foi um dos primeiros estudantes a ingressar na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) pelo sistema de cotas, utiliza sua experiência pessoal para dar vida ao personagem Joaquim. O autor destaca que a política de cotas foi uma “revolução silenciosa” que transformou o ambiente acadêmico e proporcionou oportunidades para uma população historicamente excluída do ensino superior.

Em entrevistas, o autor defende o direito ao descanso e ao encanto, ressaltando a importância de democratizar o acesso ao lazer e à educação. Ele acredita que essas políticas são fundamentais para combater a herança escravocrata do Brasil e promover a inclusão social.

O lançamento de “De Onde Eles Vêm” coincidiu com um momento de efervescência social, onde movimentos populares e propostas legislativas buscam mudanças estruturais no país. A obra de Tenório não apenas retrata a luta dos estudantes cotistas, mas também serve como um chamado à reflexão sobre as desigualdades e os desafios enfrentados por esses jovens.

No livro, Jeferson Tenório destaca a sensibilidade e a profundidade, abordando temas como racismo, exclusão e resistência. “De Onde Eles Vêm” não é um simples livro, é mais do que uma narrativa sobre a vida universitária; é um retrato poderoso das transformações sociais e das batalhas cotidianas pela igualdade.

Foto: Rafael Trindade

Jeferson Tenório, nascido no Rio de Janeiro em 1977, é um renomado escritor, professor e pesquisador brasileiro, atualmente radicado em Porto Alegre. Doutor em Teoria Literária pela PUC-RS, Tenório tem uma carreira marcada por contribuições significativas à literatura e à educação.

Sua estreia na literatura ocorreu em 2013 com o romance “O Beijo na Parede”, qual foi eleito Livro do Ano, pela Associação Gaúcha de Escritores. Desde então, Tenório tem se destacado no cenário literário com obras que exploram temas profundos e relevantes. Seu livro “Estela sem Deus”, publicado em 2018, e “O Avesso da Pele”, de 2020, são exemplos de sua habilidade em abordar questões complexas com sensibilidade e profundidade. Esse último, foi agraciado com o prêmio Jabuti e teve seus direitos vendidos para diversos países, incluindo Portugal, Itália, Inglaterra, Canadá, França, México, Eslováquia, Suécia, China, Bélgica e Estados Unidos.

Além de sua carreira literária, Tenório também atuou como colunista para o jornal Zero Hora e UOL/Folha de S. Paulo até abril de 2023. Sua experiência acadêmica inclui uma posição como professor visitante de literatura na Brown University, nos Estados Unidos. Seus textos foram adaptados para o teatro e seus contos traduzidos para o inglês e o espanhol, ampliando ainda mais seu alcance e impacto no universo literário.

Cultura Popular e a memória periférica é tema da 5ª Festa Literária Noroeste, em São Paulo


Com início nesta terça-feira, 26 de novembro, os coletivos e bibliotecas de São Paulo (SP) realizarão, até o dia 1 de dezembro, a 5ª edição da Festa Literária Noroeste (FLINO), em diversos locais da região noroeste da capital paulista. O tema deste ano será “Cultura Periférica - Memória Popular”, e o grande homenageado desta edição será Griô Benedito Luiz Amauro, conhecido nacionalmente como Mestre Lumumba.

Neste ano, a festa visa celebrar e refletir sobre as ricas expressões culturais que emergem das comunidades periféricas, ressaltando a importância das histórias e tradições que moldam nossa identidade coletiva. A festa homenageia as vozes que resistem e se afirmam, trazendo à tona a presença de artistas, que através da música, da arte e da oralidade, narram suas realidades e lutam por justiça e pelo direito à memória.

“Nossa festa homenageia as vozes que narram realidades e lutam por justiça. A Cultura Popular é a essência da periferia, cheia de vivência, luta e resistência. É o que fortalece nossas raízes, conecta gerações e dá voz à quebrada”, pontuam as organizadoras e organizadores da FLINO.

Com uma programação multicultural, o evento contará com mais de 20 atrações, incluindo oficinas, rodas de conversa, contação de histórias, espetáculos teatrais, shows musicais e outras atrações.

Inspirada em festas literárias que acontecem em outros bairros periféricos, como a Flipenha (Festa Literária da Penha) e a Felizs (Festa Literária da Zona Sul), a FLINO é também pautada pela valorização da literatura em suas múltiplas linguagens.

No primeiro dia da festa, terça-feira (26), haverá o esquenta da oficina “Vivência de Xilogravura”, na Biblioteca Pública Municipal Pe. José de Anchieta. À noite, a celebração seguirá com a grande abertura, a partir das 19h, no mesmo local. Em seguida, a programação continua com a apresentação teatral “Mulheres Queixadas”, e encerrando a noite com Jongo do Coreto, levando sua energia para a cena.

Quarta-feira (27), a partir das 10h, a Biblioteca Pública Municipal Brito Broca receberá a apresentação “Slam de Surdes”. À noite, a partir das 19h, a Biblioteca Pública Municipal Pe. José de Anchieta será palco da 1ª roda de conversa “Arte e Memória como Resistência”.

No terceiro dia, quinta-feira (28), às 10h terá a apresentação poética “Muvuca” na Biblioteca Pública Municipal Brito Broca. Às 13h, o CIEJA Perus receberá a oficina “Artes em Crochê”, seguida, às 14h, a oficina “Pipas Poéticas” na Biblioteca Pública Municipal Brito Broca e a peça teatral “A Farsa do Açúcar Queimado” na Biblioteca Pública Municipal Pe. José de Anchieta. Fechando o dia com um momento especial, às 19h, o CIEJA Perus sediará a 2ª roda de conversa “Rádios Comunitárias - Difusoras da Comunicação Popular”. Este momento será uma oportunidade única para discutir a importância das rádios comunitárias como ferramentas de comunicação, resistência e fortalecimento dos laços comunitários.

Na sexta-feira (29), às 9h, haverá a oficina de maracatu com Lu Felix na Biblioteca Pública Municipal Pe. José de Anchieta. Às 10h, acontecerá a oficina de capoeira com Bene Amauro no CIEJA Perus. Às 14h, a exibição do documentário “Raízes Indígenas da Favela” na Biblioteca Pública Municipal Pe. José de Anchieta. Às 19h, o bando Undirê apresentará o espetáculo “Baobá de Memórias” na Biblioteca Pública Municipal Brito Broca, seguido pela roda de conversa “Tradição e Contemporaneidade nas Culturas Populares e Periféricas”, discutindo o diálogo entre práticas culturais tradicionais e o mundo contemporâneo.

A programação do
 sábado (30) começará às 12h com a Banda de Forró Cabrá é Fêmea no CIEJA Perus, seguida pelo Samba Progresso e intervenção poética de Michel Yakini Iman e Samba do Congo, que acontecerão na Sede do Samba do Congo.

No último dia da festa, domingo (1), a Comunidade Cultural Quilombaque receberá a BrincaManas e a Feira Literária e de Economia Criativa durante todo o dia, além do Congo Embondeiro Queixada às 15h, o show de Oz Guarani às 18h. E para encerrar o evento, o Samba de Bumbo Sucatas Ambulantes, a partir das 20h.

Academia Maranhense de Letras Infantojuvenil: um novo capítulo na literatura do Maranhão

Imagem do dia da fundação da AMLIJ, em 16/06/2023

A literatura do Maranhão ganhou um novo e promissor capítulo com a criação da Academia Maranhense de Letras Infantojuvenil (AMLIJ), que contempla crianças e jovens escritores com idades entre 9 e 16 anos, que dão continuidade  e fomentam o universo literário no estado. A iniciativa, que visa incentivar a produção literária, já selecionou seus primeiros membros, conforme lista divulgada em outubro deste ano. A cerimônia de posse acontecerá no próximo dia 25 de novembro, às 18h na AML (Academia Maranhense de Letras).

A lista dos membros da AMLIJ foi divulgada no último dia 15 de outubro e destaca jovens com talentos em diversos gêneros da literatura infantojuvenil no Maranhão. Ao todo, foram selecionados 28 escritores, representando a capital São Luís e outras cidades do estado (Matinha, Caxias, Bacabal, João Lisboa, Santa Luiza e Viana). A seleção foi criteriosa, levando em conta a originalidade, criatividade e a qualidade das obras apresentadas pelos candidatos.

Representantes da Academia na Felis 2024

A criação da academia representa um marco significativo para a literatura maranhense. Essa novidade não apenas promove a leitura e a escrita entre os jovens, mas também valoriza a cultura local, incentivando a produção de obras que reflitam a identidade do Maranhão.


“É incrível ver que o sonho está criando força e o quanto existem crianças e jovens que amam a literatura e precisam do nosso incentivo no hoje, para que continuem a espalhar no mundo suas histórias e poesias”, escreveu Sharlene Serra, escritora e presidente da AMLIJ, em uma publicação no Instagram. “Estamos criando um espaço onde as vozes e as palavras destes jovens podem ser ouvidas, lidas e celebradas”, complementou.

A cerimônia de posse dos novos membros contará com a presença de autoridades locais e figuras importantes do cenário literário, bem como da sua presidente Sharlene Serra. O evento, que será transmitido ao vivo pelo Instagram (@escritorasharleneserra), promete ser um momento de celebração e reconhecimento do talento jovem, além de um incentivo para que mais crianças e adolescentes se envolvam com a literatura.

A expectativa é que a AMLIJ tenha um impacto positivo na comunidade maranhense, promovendo a inclusão social e o desenvolvimento educacional através da literatura. Projetos de leitura, oficinas de escrita e eventos literários estão entre as atividades planejadas para os próximos meses, visando engajar ainda mais os jovens na produção literária.

Para 2025 a Academia terá, além da inserção de novos membros, várias iniciativas empolgantes voltadas para o estímulo da criatividade e do interesse pela leitura e escrita entre crianças e jovens. Veja a seguir algumas expectativas para o próximo ano:

Conhecendo a AMLIJ: Cada membro conhecerá todos que compõem a AMLIJ (sobre o trabalho literário da diretoria) e fará uma apresentação sobre seu tutor (presencial em sua cidade de origem).

Eventos literários: A AMLIJ irá organizar eventos literários, como saraus e debates que incentivem a participação ativa dos jovens (eventos à distância ou presencial).

Publicações e antologias: Pode-se esperar lançamentos de publicações ou antologias que destaquem as obras dos jovens escritores membros da Academia.

Essas iniciativas refletem o compromisso da AMLIJ em ser um espaço de valorização da literatura proporcionando oportunidades ricas para o desenvolvimento dos jovens escritores.
Segue abaixo a lista dos membros efetivos da AMLIJ, representantes de algumas cidades maranhenses:

SÃO LUÍS

Isabele Santos Martins
Maria Olívia Santos Jacinto Pelúcio
Maria Eduarda Silva Soares
Luíze Dias Azevedo
Alice Emanoelle Torres
Ana Gabrielly dos Santos Silva
Rosana da Silva Guimarães
Samara Martins Gomes
Gulherme Gomes Martins

MATINHA

Vitória Cristina Duarte Sousa
Willian Jhony Viana Silva

CAXIAS

Ihvina Sofia Lemos
Luã Myller Rodrigues Silva
Mariana Vitoria de Melo Borges
Nayra Mylena Siusa Silva
Marlysson Emanuel de Melo Ferreira
Emanuel Barsan Costa dos Santos

BACABAL

Vitor Miguel Silva Mariano
Luma Nara Bonfim Oliveira
Wanessa Adrianny da Silva Castro
Lindsay Iohanna Gaspar Cantanhede

JOÃO LISBOA

Emily Paiva Conceição
Pedro Jorge de Araújo Lima
Laiz Holanda Amaral Rios
Ana Livia de Araújo Lima

SANTA LUIZA

Yasmilly Vitória Sousa Silva

VIANA

Anna Júllya da Silva Pires
Isis Raposo Cerqueir

“E por falar em memórias...”, terceiro livro da escritora Regiane Jesus, será lançado este mês no Rio de Janeiro

Racismo, etarismo, fé e novas tecnologias são alguns dos temas de “E por falar em memórias...”, livro infantojuvenil que faz um convite à emoção através de um encontro de gerações protagonizado por Vô Venancinho e o adolescente Rico. A obra é da escritora e jornalista Regiane Jesus e será lançada no próximo dia 23 de novembro, no Centro da Música Carioca Artur da Távola, na capital Rio de Janeiro.

“E por falar em memórias...”,  é a terceira obra literária da jornalista e será lançado no próximo dia 23 de novembro no, Centro da Música Carioca Artur da Távola, na Tijuca, a partir das 15h. O livro propõe conexões entre passado e presente para construir um futuro sem preconceitos e desigualdades.

Passagens históricas, pessoais e coletivas, se misturam no livro. Em um bate-papo fraterno, emocionado e bem-humorado, Vô Venancinho conversa com o neto, Rico, ao mesmo tempo em que se conecta, em total sintonia com o adolescente, sobre temas ancestrais, atuais, urgentes e necessários, como racismo, intolerância religiosa, etarismo, amizade, machismo, desigualdade social, democracia e novas tecnologias.

“Esse livro surgiu a partir de um incômodo, que é a questão do racismo no Brasil. Mas logo me veio a ideia de imaginar como seriam as conversas de um avô e um neto sobre temas sociais, comportamentais, que impactam a sociedade desde que o mundo é mundo. Assim nasceu E por falar em memórias.... Um livro leve, divertido e emocionante, que traz para as suas páginas passagens da história nacional, lembranças do Vô Venancinho, troca de experiências geracionais e muito mais. E por falar em memórias... é, sobretudo, uma história de amor”, comenta a autora.


Os encontros entre avô e neto, que acontecem na Quinta da Boa Vista, no Paço Imperial e no Museu da República, testemunhas cariocas de marcos da história do Brasil, promovem também um resgate de recordações da juventude de Vô Venancinho, vivida em Salvador, Bahia.  As lembranças de infância deste herói real, sem superpoderes, passam pelo carnaval baiano, a criação do trio elétrico em um subúrbio da capital, e de como era bom se divertir ao lado das suas duas amigas inseparáveis, Nina e Nonô. Uma tradicional escola de samba do Rio de Janeiro, a Portela, é a primeira paixão carioca, de carnaval, do simpático e sábio “Vô”.

A dupla Vô Venancinho e Rico, em suas animadas conversas sobre vivências próprias e ancestrais, joga um jogo de aprende e ensina, em um irresistível encontro de gerações. “A cultura é o pano de fundo do livro, que recorda canções que atravessam gerações, lembra a chegada do rádio e do biquíni ao Brasil, além de apresentar aos mais novos, com muito humor, o ‘orelhão’, telefone público que já virou peça de museu. O bate-papo dos protagonistas com suas diferenças e semelhanças é uma deliciosa troca de experiências”, afirma a autora.

O infantojuvenil é um convite aos jovens leitores e leitoras para que, a partir do passeio histórico protagonizado por Vô Venancinho e Rico, façam as suas próprias conexões entre ontem e hoje para construir no amanhã um mundo sem preconceitos e com igualdade de oportunidades para que todos e todas possam ser personagens principais.


Regiane Jesus é jornalista desde 1998. Ao longo da sua carreira, foi repórter dos jornais O Globo, Extra e O Dia. Na Rádio Globo, ocupou o cargo de produtora-executiva. Em janeiro de 2024, foi contratada como assessora-chefe da Comunicação do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Rio de Janeiro (CAU/RJ). Neste ano de 2024, concluirá a graduação de Licenciatura em História, na Universidade Veiga de Almeida. É autora dos livros "Eles também são fãs" e “Rico, um menino muito rico”.

20 autoras brasileiras se destacam em coletânea que traz o novo patamar do terror latino-americano

Foto: Bia Assad

O Brasil tem se destacado no mercado literário com uma nova geração de escritores que exploram o terror e o sobrenatural. O livro “O dia escuro: contos inquietantes de autoras brasileiras”, organizado por Fabiane Secches e Socorro Acioli, é um exemplo marcante dessa tendência. Reunindo textos de 20 escritoras brasileiras, com contos de horror, que misturam elementos fantásticos e o terror do cotidiano, a obra foi publicada pela Companhia das Letras e lançada no último dia 31 outubro.

No livro, as autoras criam narrativas que assustam e intrigam na mesma proporção. “Uma mulher acha um dedo na praia. Um homem em situação de rua agoniza na calçada. Uma menina tem certeza de que sua mãe foi trocada por outra. Um herdeiro escravocrata enlouquece com espíritos do passado. Uma criança brinca com a amiga sem saber que já morreu.”, essas são algumas das inquietantes histórias contidas nesta coletânea.

“O dia escuro” é um degrau a mais para levar o debate sobre terror latino-americano a um novo patamar. Com textos que causam medo, angústia, repulsa ou assombro, o livro possui como único ponto comum o fato de ter sido escrito somente por mulheres.

Fabiane Secches, uma das organizadoras da obra, revelou em entrevista ao Estado de Minas que a inspiração para o livro vem de grandes nomes da literatura brasileira, como Lygia Fagundes Telles. Ela destacou que o terror pode ser uma ferramenta poderosa para explorar temas sociais e psicológicos, algo que Telles também fazia com maestria.

Como prova do talento das escritoras brasileiras, o livro surge como um exemplo a mais para fortalecer o mercado literário, do qual se percebe a capacidade gigantesca das autoras de criar histórias que são, ao mesmo tempo, assustadoras e profundamente humanas. A mistura de elementos fantásticos com o terror cotidiano é um dos pontos altos do livro, tornando-o uma boa indicação para os fãs do gênero e que desejam entender o novo rumo do terror na literatura brasileira. 

Escritor “erra” questão sobre seu próprio livro em prova do Enem


Em uma situação inusitada, o escritor brasileiro Julián Fuks cometeu um “erro” ao responder uma questão do Enem, que trazia um trecho do seu livro “A Resistência”, publicado em 2015 pela Companhia das Letras. A questão, que fazia referência ao livro, foi respondida de forma “incorreta” pelo autor, o que gerou uma onda de comentários nas redes sociais e entre estudantes.

Julián Fuks foi pego de surpresa nesta última semana, ao ser informado de que o trecho de um dos seus livros foi parar em uma questão do Enem deste ano. “Nem preciso dizer quanto me senti lisonjeado ao ver um livro meu virando pergunta no Enem. Susto, satisfação, alegria, estranhamento, tudo isso compôs com graça a experiência... A pergunta é difícil, intrincada, incerta. Eu mesmo não saberia explicar com toda convicção o que há por trás dessas reflexões do meu narrador”, escreveu em seu Instagram, no último dia 4 de novembro.

Em outra publicação, Fuks comentou: “Desde o fim da tarde de domingo começavam a pulular as mensagens, simpáticas, festivas, até eufóricas. Havia caído uma pergunta sobre meu livro A resistência no Enem e os amigos se apressavam em me dar a notícia, em alardear que quatro milhões de pessoas haviam sido expostas no mesmo instante a um parágrafo meu, e que aquilo era motivo de grande honra. Senti de fato essa alegria vaidosa que jamais deveria render uma crônica. Mas senti também um súbito e inegável receio de que falhasse a minha comunicação com aqueles quatro milhões de jovens, que naquela tensa situação de prova poderiam odiar minhas abstrações, meus adjetivos excessivos, meus significados esquivos, minha sintaxe sinuosa demais”.


“O receio se agravou quando enfim bati os olhos naquela questão 29 e me vi perdido entre suas opções de resposta, quase todas razoavelmente exatas, quase todas à sua maneira, próximas do que eu desejara dizer naquela passagem. Não costumo me sair mal em provas; como é necessário em tempo hábil formar convicção por uma resposta, escolhi a alternativa que me pareceu mais adequada e já me pus a esclarecer quem me consultasse, a D era a resposta certa. Não foi uma surpresa absoluta quando começaram a despontar os gabaritos revelando o meu vexame: eu havia errado uma pergunta sobre as intenções do narrador da minha própria obra”, continuou.

O episódio gerou uma discussão sobre a importância de estar atento e preparado, mesmo para aqueles que já possuem um alto nível de conhecimento sobre o assunto. Além disso, o autor destacou a vulnerabilidade humana, mesmo entre profissionais renomados: “Não costumo me sair mal em provas; como é necessário em tempo hábil formar convicção por uma resposta, escolhi a alternativa que me pareceu mais adequada e já me pus a esclarecer quem me consultasse, a D era a resposta certa. Não foi uma surpresa absoluta quando começaram a despontar os gabaritos revelando o meu vexame: eu havia errado uma pergunta sobre as intenções do narrador da minha própria obra”, escreveu em sua coluna no Ecoa (UOL).

“Ali eu chegava enfim a entender por que meu erro no Enem, ou por que o erro do Enem, não me causava nem espanto nem choque. Estávamos apenas diante de mais uma manifestação da literatura em sua complexidade, em sua infinita nuance, em sua natureza insondável. Não se espere da literatura, nem das mensagens dos escritores, nem das interpretações dos críticos, nem das deduções dos examinadores, nenhum tipo de exatidão. Essa expectativa é de todo contrária à vocação da literatura, que é mais rica e mais veraz quanto mais ambígua se mostrar, quanto mais resistente a reduções simplistas. É assim que ela continua a suscitar suas infindáveis perguntas, que podem muito bem ajudar a compor os exames nacionais, ainda que delas em última instância ninguém consiga depurar respostas corretas, nem mesmo os seus autores”, desabafa.

O próprio escritor reconheceu o erro, admitindo que foi um momento de desconforto. Ele destacou que, apesar de sua experiência e conhecimento sobre o livro, a pressão do exame pode ter contribuído para o erro. “Eis a lição que a literatura tem a oferecer nesses sinuosos domínios do conhecimento: num mundo cioso demais de suas verdades, é a lição da dúvida irreparável, a lição do imperscrutável, do indefinível”, finaliza.


A obra “A Resistência” traz a história de uma família de intelectuais argentinos que vieram para o Brasil após o golpe militar na Argentina em 1976. Adotam uma criança e, posteriormente, têm outros filhos biológicos. A intrincada relação familiar é observada por Sebástian, o irmão caçula, que, ao compreender a história de seus pais e as emoções de seu irmão adotivo, procura reescrever essa narrativa familiar.


Julián Fuks nasceu em São Paulo, em 1981. É autor de “A procura do romance”, “Histórias de literatura e cegueira”, ambos finalistas dos prêmios Jabuti e Portugal Telecom, e dos romances “A resistência”, traduzido para cinco línguas e vencedor dos prêmios Jabuti de Livro do Ano de Ficção e Melhor Romance (2016), Prêmio Literário José Saramago (2017) e o Prêmio Anna Seghers (2018), e “A ocupação”, finalista dos prêmios São Paulo de Literatura e Oceanos (2020). O escritor foi eleito pela revista Granta um dos “melhores jovens escritores brasileiros”.

Advogada paranaense lança segunda edição de livro de poesias e reflete sobre emoções


“Você é o que você sente” é mais um livro de poesias da escritora e advogada paranaense Rafaela Aiex Parra. A obra, que está em sua segunda edição, reúne 40 poesias sobre as ideias, pensamentos e experiências da autora. O evento de lançamento está previsto para o dia 26 de novembro, a partir das 19h30, no espaço multicultural Honey Vox (Avenida Iguaçu, 540), em Curitiba/PR.

Parra, que além de advogada é uma apaixonada pela escrita e compartilha em seu novo livro uma coleção de poesias que exploram as profundezas das emoções humanas. Acreditando que a poesia é uma forma poderosa de expressar sentimentos e conectar-se com os leitores em um nível mais profundo.

Nesse novo livro, Rafaela sugere que o público conheça o seu outro lado, e comenta: “A ideia é que as pessoas possam conhecer a outra Rafaela, a que escreve poesia. Não a Rafaela advogada do agronegócio. Essa outra Rafa é mais leve, não tão séria, mais desprendida”.

Com essa segunda edição de “Você é o que você sente”, Rafaela consolida-se como uma voz importante na literatura paranaense, mostrando que a poesia ainda tem um lugar especial no coração dos leitores. O livro já está disponível em pré-venda pelo site da Editora ESGlaw por cerca de R$ 130,00 (clique aqui).


Rafaela Aiex Parra nasceu em Londrina/PR, e suas inspirações na literatura são os autores Manuel Bandeira, Carlos Drummond de Andrade e Clarice Lispector, além de filósofos clássicos. A escritora é Doutoranda em Direito, pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), e Mestre em Direito Negocial, pela Universidade Estadual de Londrina (UEL).

Prêmio Jabuti divulga lista de semifinalistas: DF se destaca com duas obras entre os selecionados na categoria romance literário


Dois escritores do Distrito Federal estão entre os dez semifinalistas de 2024 da principal categoria do mais prestigiado prêmio literário nacional, o Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro (CBL). As obras são dos autores André Cunha, com a comédia romântica “Quem falou?” (Penalux/Litteralux, 2021), e Fabiane Guimarães, com “Como se fosse um monstro” (Alfaguara, 2023). Ambas concorrem na categoria Melhor Romance Literário, ao lado de nomes consagrados da literatura brasileira, como Martha Batalha, Socorro Accioli e Itamar Vieira Jr. Os finalistas serão divulgados no dia 5 de novembro.

Em “Quem falou?”, o escritor veterano André Cunha apresenta uma prosa ágil e bem-humorada. Uma jornalista na casa dos 30 anos, Rebeca Witzack, conta em primeira pessoa suas desventuras amorosas em Florianópolis, no sul do país. Saída de um relacionamento, ela relata, com muito deboche e ironia – “sem drama”, como ela mesma diz –, como passou a namorar outro homem e engravidou de um terceiro.

Mas que o leitor não se engane: por trás dessa leveza e desse humor, há uma complexidade que não se deixa alcançar à primeira vista. Alternando vozes sem aviso prévio, indo e voltando no tempo, a narradora-personagem vai compondo aos poucos um mosaico que dá o que pensar sobre o mundo contemporâneo. Misturando referências de cultura brasileira, universo pop, filosofia e literatura, a jornalista aborda de questões superficiais a temas existenciais e sociais.

Um livro envolvente sobre o que significa tomar decisões e como elas impactam a vida dos outros, “Como se fosse um monstro”, segundo romance de Fabiane Guimarães, é uma reflexão única sobre a maternidade, a culpa e o direito de escolher. Na trama, em Brasília nas décadas de 1980 e 1990, uma jovem negra sai do interior para trabalhar como mensalista na casa de um casal rico na cidade grande. Lá, enquanto tenta entender a dinâmica diária dos dois, começa a ver algumas meninas passando diariamente para algum tipo de entrevista a portas fechadas. Depois de meses sem achar a escolhida, o casal finalmente faz a proposta a Damiana: que ela trabalhe como barriga de aluguel.

Damiana aceita sem entender muito bem, passa por uma inseminação artificial caseira e um cárcere privado de nove meses. Depois que o bebê nasce, ela conhece Moreno, um “especialista” nesse tipo de negócios que explica quão inconsequente foi aquela decisão e sugere que os dois passem a trabalhar juntos. A história de Damiana e sua relação com a maternidade, o próprio corpo e a rede clandestina de produção de bebês é contada a uma jornalista quando ela já está idosa, vivendo novamente no campo.

Embora tenha menos de dois por cento da população do país, o Distrito Federal abocanhou vinte por cento das vagas na categoria que elege o melhor romance literário do ano em uma premiação com milhares de inscritos. Os vencedores serão anunciados em cerimônia no dia 19 de novembro, em São Paulo (SP).


André Cunha é autor de vários livros, entre eles “Brasília, gravidade zero”, finalista do prêmio Sesc de literatura de 2015, pela Selo Jovem, a ficção especulativa “O futurista – reportagens que vão mudar o mundo”, pela Trevo, e a novela satírica “Colisão Frontal”, pelo Grupo Editorial Caravana.


Fabiane Guimarães nasceu no interior de Goiás, em 1991, onde cresceu e começou a escrever ainda criança. Jornalista formada pela Universidade de Brasília (UnB), é autora da novela seriada “Pequenas esposas”, publicada pela revista digital AzMina, e do romance “Apague a luz se for chorar”, publicado pela Alfaguara e finalista do prêmio Candango.

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