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A subjetividade do “eu lírico” no mais novo livro de poesias em prosa do escritor paulistano Ruy Proença

Por: J. B. Novare Em: 23/12/2019

“Monstruário de fomes” (Editora Patuá, 2019) é um livro de poemas em prosa e o segundo, nessa categoria, publicado pelo escritor e poeta paulistano Ruy Proença. O lançamento do livro ocorreu em outubro de 2019 na Biblioteca Álvaro Guerra, em São Paulo (SP), em conjunto com o poeta Pádua Fernandes, autor do livro “O desvio das gentes”. Na ocasião do evento, houve uma fala dos autores sobre processo criativo. O livro foi selecionado e publicado com o apoio da Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo.

Com cerca de 112 páginas, “Monstruário de fomes” está dividido em duas partes, assim como “Caçambas”, o livro anterior do poeta. A primeira parte, Estetoscópio, abriga os poemas de uma voz interna, mais ligada à subjetividade do eu lírico; a segunda, Papel-carbono, traz poemas que dão voz à fala alheia. São colagens, paráfrases, reorganização, diálogos com a voz do outro, a partir de escutas, documentários, publicidades, letras de música, poemas, textos jurídicos. Nessa parte, a própria questão da autoria é colocada em causa. Os exemplares da obra estão disponíveis em algumas livrarias físicas de São Paulo e no site da editora por cerca de R$ 38,00 (www.editorapatua.com.br/).

A partir de um comentário pessoal feito por Ronald Polito, que escreveu a orelha de seu livro “Caçambas”,  Ruy decidiu voltar a experimentar o caminho da escrita de poemas em prosa. “Até como uma forma de ‘quebrar’ um pouco a mão, isto é, tentar me desvencilhar de algum automatismo. Aquela coisa, quando você passa a escrever bem com a mão direita, troque de mão e comece a escrever com a esquerda. A poesia tem a ver com essa refundação do olhar, da maneira de criar, enfim, tentar descobrir novos caminhos”, justifica o poeta.

Ruy Proença é um escritor e poeta paulistano nascido em 1957 e residente na mesma cidade. É engenheiro de minas, formado na USP, exercendo a profissão até os dias atuais. Desde cedo interessou-se pela escrita e, particularmente, por poesia. Nos anos 70 teve a oportunidade de conviver com Roberto Piva, Cláudio Willer, Roberto Bicceli e outros poetas a eles ligados. Mas foi no início dos anos 1990 que fez uma opção mais determinada pela poesia.

Junto com Fabio Weintraub, Chantal Castelli, Rodolfo Dantas, Flávio de Souza Corrêa, Cesar Garcia Lima e outros, começaram a trabalhar em grupo com projetos envolvendo pesquisa, criação e divulgação de poesia. O grupo chamava-se “Cálamo” e durou cerca de 12 anos, até o início dos anos 2000. Vários dos participantes são hoje poetas com mais de um livro publicado; alguns, além de escritores, são acadêmicos. Atualmente, Ruy possui seis títulos publicados, além de um livro de poesias e de uma plaquete infanto-juvenil.

No seu primeiro livro, “Pequenos séculos”, de 1985, o autor traz uma sessão de poemas em prosa. Desde então, não mais dedicou-se a esse estilo de poesias, salvo um poema em prosa escrito especificamente para o número 14 da revista Inimigo Rumor, edição especial dedicada à publicação de poesias em prosa. Já em “Caçambas”, o seu penúltimo trabalho, lançado em 2015, o poeta traz poemas versificados. A obra é dividida em duas sessões: Rádio de galena, que traz poemas mais ligados à memória pessoal; e Singular coletivo, que traz poemas mais ligados ao cotidiano urbano.

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