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Poeta Ricardo Escudeiro lança novo livro de poesias com textos que provocam o leitor a certas inquietações

Por: J. B. Novare Em: 09/12/2019

Lançado no último dia 30 de novembro em São Paulo (SP), “A implantação de um trauma e seu sucesso” torna-se o mais novo livro de poesias a entrar para o acervo de publicações do poeta paulista Ricardo Escudeiro. Na obra, com pouco mais de 150 páginas, o poeta transcreve para o papel as suas inquietações a cerca da dura realidade do dia a dia, das perdas daquilo que pareciam conquistas, colapsos sociais, medos, necropolítica, genocídio, e outros pontos que desconfortam o país. O prefácio do livro foi escrito por Penélope Martins e o posfácio é de Donny Correia. A publicação é da Editora Patuá/Editora Fractal (coedição).

As razões para o livro provém de inúmeros fatores: “Por conta de nossos últimos tempos e da nossa realidade atual, com a ascensão disso que ocupa o governo do país, essa mistura de extremismo religioso pentecostal com a ultradireita, prática explícita de necropolítica com a precarização dos serviços básicos afetando diretamente os mais marginalizados socialmente, genocídio dos mais pobres, exaltação de torturadores, etc, talvez seja mais palpável falar em desmotivações e que, a despeito disso, escrevemos. Talvez para compartilhar/incitar desconfortos e estranhamentos”, destaca o autor.

Segundo Escudeiro, provavelmente a escrita inicial, que deu os primeiros passos para o livro, deva ter ocorrido quando ainda era criança. “A ideia de escrever não sei dizer exatamente, mas acho que esse livro começou a ser rascunhado em algum momento entre a primeira vez que quebrei o nariz (quando eu tinha uns seis anos mais ou menos, e caí enquanto brincava) e a primeira vez que li esses versos, do livro Ciclópico olho (2011), de Horácio Costa: [...] & as fraturas / & os desmoronamentos / & as cantigas da gravidade / & o caminho ao pó// o meu caminho / & o muro”, revela ele. Esse seu novo livro já está a venda por R$ 38,00 pelo site da editora (www.editorapatua.com.br/produto/103662/a-implantacao-de-um-trauma-e-seu-sucesso-de-ricar) e pela Patuscada - Livraria, bar e café (Rua Luís Murat, 40 - Vila Madalena), em São Paulo.

“aqui temos uma escrita do sentir. Do sentir como ‘perda irreparável/o terminar de cada dia’. Sentir o ‘projétil diagnosticado como perdido’ – a bala que atravessa a carne como o braço do capitão do mato destruindo tudo pelo trajeto. Sentir a dor do outro, seja em Amityville, em Barbacena ou em ‘pequenópolis’. Sentir ‘a sensação assim em pleonasmo mesmo’ de ‘colar na favela depois da tempestade de vento’ e ver ‘os barracos os negócios todos destroçados’. Sentir a mão cravejada ‘na brita e pela brita’. Sentir o ódio – ‘o pivete estrebuchando’ – e o amor como ‘um instante de ódio’. Sentir o(s) corpo(s), ‘seja em imagem ou som’. Seja em Lynch, Toy Story, Street Fighter. Seja em Henryk Górecki, Facção Central, Rihanna. Seja em Stela do Patrocínio – a loucura, a fome, a rua. Seja em Saramago – a violência revolucionária. Seja em Ricardo Escudeiro – a legião, voz que faz dialogar tantas inesperadas vozes na implantação de um bem sucedido trauma”, escreve Bruna Mitrano na orelha do livro.

Ricardo Escudeiro reside em Parque Capuava, um bairro periférico de Santo André (SP), cidade onde nasceu em 1984. É (ex) metalúrgico e (ex) professor. Autor dos livros de poemas “a implantação de um trauma e seu sucesso” (Editora Patuá/Editora Fractal, 2019), “rachar átomos e depois” (Editora Patuá, 2016) e “tempo espaço re tratos” (Editora Patuá, 2014). Graduado em Letras na USP, desenvolve projetos com interesse em Literaturas Africanas de Língua Portuguesa e Estudos de Gênero. Atua como editor na Fractal e assistente editorial na Patuá. Idealizou e montou, em parceira com o artista Leonardo Mathias, o work in progress “A mecânica do livro no espaço”, dividido em três temporadas: “piloto”, na Casa da Palavra, em Santo André (2016), “segundo movimento”, na Biblioteca Alceu Amoroso Lima, em São Paulo (2017) e “desmonte”, no Patuscada – café & livraria, em São Paulo (2017).

Possui publicações em mídias digitais e impressas: Escamandro, Germina, Jornal RelevO, Revista 7faces, Mallarmargens, Flanzine (Portugal), Enfermaria 6 (Portugal), Tlön (Portugal), Gazeta de Poesia Inédita (Portugal), LiteraturaBR, Diversos Afins, Ruído Manifesto, Arribação, Poesia Avulsa, entre outras. Traduz, sem periodicidade definida, poemas de poetas brasileiras para o inglês na série “desglutição em outras línguas”, publicada na Mallarmargens. Traduziu poemas da poeta afro americana Nayyirah Waheed, que foram publicados nos formatos PDF, EPUB e MOB para download livre, pelo selo gueto editorial, da Revista Gueto, em 2017. Publicou mensalmente, entre 2014-2016, poemas na Revista Soletras, de Moçambique. Participou das antologias “Os pastéis de nata ali não valem uma beata – antologia de 2017” (Enfermaria 6, 2018), “29 de abril: o verso da violência” (Editora Patuá, 2015), “Patuscada: antologia inaugural” (Editora Patuá, 2016), “Golpe: antologia-manifesto” (Punks Pôneis, 2016) e “Poemas para ler nas ocupa” (Editora Estranhos Atratores, 2016).

“[...] Estes poemas, que trazem em sua forma um quê de prosa – ainda que a pontuação tenha sido deglutida pelo Pantagruel da arbitrariedade que só cabe ao criador –, versam sobre a desagregação, sobre o fundo cego de uma garrafa côncava, o absurdo de um osso que arde quando sente a vibração de um despertador às 6:30 da manhã de uma segunda-feira embargada em ressaca moral adquirida. Em vários momentos, o poliengenhoso boxer Escudeiro parece dar uma dura em Deus e lhe cobrar as contas da pequenópolis que não pediu para nascer. É como se regozijasse no escárnio ao pensar blasfêmias à lá 'Se Deus veio, é bom que esteja armado'. [...]”, texto de Donny Correia, no posfácio da obra.

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