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Telas de José Ferraz de Almeida Júnior são inspiração para o romance “Aquele Mês de Abril”, de Goimar Dantas

Por: J. B. Novare Em: 17/05/2019

O triângulo amoroso, tema clássico da literatura universal, é revisitado em “Aquele Mês de Abril” (Editora Penalux, 2018), sob ótica inusitada. De autoria da escritora potiguar Goimar Dantas, o romance, ambientado nos dias atuais, em São Paulo, é alinhavado por 5 telas do pintor José Ferraz de Almeida Júnior, ícone das artes plásticas do século 19 e objeto de estudo de uma das protagonistas. Com o avançar do enredo, a figura emblemática do pintor vai-se impondo nas linhas e entrelinhas da história de maneira cada vez mais intensa, pulsante e, por fim, assustadora. A obra teve lançamentos contínuos nos dias 17, 23 e 25 de abril, respectivamente, no Bar Canto Madalena e nas unidades do Senac Santana e do Senac Penha, integrando a programação da Semana Senac de Leitura, em São Paulo (SP).

Os personagens estão imersos na densa mistura de amor, ciúme, traição, insegurança e obsessão, resultando em uma trama que mescla pinceladas vigorosas de beleza e drama. Em meio a ela, as telas de Almeida Júnior são como bússolas a nortear cenas, intenções e ações dos personagens. Um diálogo potente entre literatura e pintura, moldado por prosa poética e força imagética capazes de conduzir o leitor a uma viagem que atravessa os séculos - tal qual a força dos grandes amores.

E é justamente a intensidade desses amores que vira do avesso a vida dos dois casais que compõem o núcleo central do livro. A saber: Ana, professora de História da Arte, e Pedro, cirurgião cardíaco; Helena, jornalista, e Theo, artista plástico. Os quatro vivem em casamentos convencionais até que, na Pinacoteca do Estado de São Paulo, Ana e Helena se veem pela primeira vez, dando início a uma paixão avassaladora. O romance entre as duas desencadeia uma série de acontecimentos que, de formas diversas, vai enredar, seduzir, cooptar e sufocar, também, os personagens Theo e Pedro, levando um deles a se unir às duas e formar o triângulo amoroso, e o outro a chegar às raias da insanidade por conta dessa geometria.

Conforme a narrativa avança, o livro revelará o modo como essa ficção guardará semelhanças não só com os quadros de Almeida Júnior, mas também com a vida do pintor, em uma espiral que leva os leitores à pergunta/reflexão fundamental que permeia a ideia e, consequentemente, o desenvolvimento do texto: a arte imita a vida ou será o contrário? Por vezes, a obra flerta com o que se convencionou chamar autoficção ao inserir na voz da personagem Helena poemas da autora Goimar Dantas, publicados em Veias em versos (Editora Penalux, 2016). Os capítulos de “Aquele Mês de Abril” têm como pano de fundo as seguintes telas de Almeida Júnior: Leitura, O descanso do modelo, O importuno, Amolação interrompida e Saudade.

O livro é um projeto que surgiu em 2012, quando Goimar finalmente visitou a exposição permanente da Pinacoteca do Estado de São Paulo. Isso porque sempre que passava por lá estava com o tempo contado, entre um compromisso e outro. Mas, finalmente, tirou um sábado inteiro para conhecer o acervo permanente. “Nessa ocasião, ao ver a tela O importuno (1898), de José Ferraz de Almeida Júnior (1850-1899), tive uma espécie de epifania e, imediatamente, pensei que a cena retratada na pintura poderia ser a gênese de uma boa história. Nascia, naquele momento, a primeira ideia do que, mais tarde, viria a ser meu romance Aquele mês de abril”, revela.

“Achei o quadro maravilhoso, assim como as demais obras do autor, expostas no acervo da Pinacoteca. A partir daquele dia, fiquei obcecada pelo artista e por sua produção. Desde então, passei a comprar tudo o que existia sobre Almeida Júnior na loja da Pinacoteca. Nos anos seguintes, continuei adquirindo livros sobre o pintor, além de dar sequência às visitas aos museus, tanto na capital paulista quanto em cidades como Rio de Janeiro e Itu (local de nascimento de Almeida Júnior). Em Itu, a ideia era não só ver seus quadros, mas também pesquisar documentos, trabalhos acadêmicos, lugares onde o artista residiu. Visitei, ainda, o município de Piracicaba, onde o pintor foi assassinado e está sepultado”, destaca Goimar, que nesse meio-tempo, fez cursos de História da Arte no Masp, frequentou palestras sobre o tema em institutos culturais, assistiu a um sem-número de programas e documentários sobre pintura. Além de ter entrevistado profissionais cujas áreas de atuação tinham a ver com as dos protagonistas da trama.

“Escrevi o romance de 2015 a 2017. A história se passa nos dias atuais, embora os cinco capítulos do livro dialoguem, cada um, com uma determinada tela de Almeida Júnior. Essas obras, aliás, estão reproduzidas, em cores, na abertura dos capítulos”, relata ela.

Goimar Dantas é potiguar, natural de Santa Cruz, embora tenha vivido até os dois anos em Japi, cidade vizinha, na divisa com a Paraíba, onde reside sua família materna. Vive no Estado de São Paulo desde criança e, em 2002, fixou residência na capital paulista. É jornalista, roteirista, escritora e mestra em Comunicação e Letras. Em 2011, foi finalista do Prêmio Jabuti com a biografia “Cortez – A saga de um sonhador” (Cortez Editora, 2010), escrita em coautoria com a socióloga Teresa Sales. Possui dez livros publicados e participação em diversas antologias. Sua obra é bastante híbrida, pois gosta de transitar por diversos gêneros. Dentre seus livros, estão: “A arte de Criar Leitores –Reflexões e dicas para uma mediação eficaz” (Editora Senac São Paulo, 2019); “Aquele Mês de Abril” (romance, Editora Penalux, publicado em 2018, lançado este ano); “Veias Em Versos” (poemas, Editora Penalux, 2016) e “Rotas Literárias de São Paulo” (Editora Senac São Paulo, 2014).

Para crianças, a autora tem três livros publicados: “Estrelas São Pipocas e Outras Descobertas” (Cortez Editora, 2013), também publicado na Espanha em 2014 pelo grupo editorial Octaedro; “Minha Boca Está Pelada!” (Escrita Fina Edições, 2013) e “Quem Tem Medo de Papangu?” (Cortez Editora, 2011). Como roteirista, assinou cerca de 100 roteiros para vídeos institucionais de empresas como Santander, Organon e Citibank. Ministra palestras e saraus por todo o Brasil, sempre abordando temas relacionados à literatura e à escrita.

O seu penúltimo livro publicado, “A Arte de Criar Leitores: Reflexões e Dicas Para Uma Mediação Eficaz”, é voltada para pais, educadores, bibliotecários, contadores de histórias e demais interessados em mediação de leitura. Em seus dez capítulos, Dantas aborda a influência dos contadores de histórias; os diversos tipos de mediadores (familiares, educadores, bibliotecários, entre outros) e seus modos de atuação; a importância da poesia e as ferramentas para trazê-la para o dia a dia das crianças, jovens e adultos; o diálogo entre literatura, cinema e televisão; o modo como os contos de fadas e fábulas nos preparam para enfrentar os desafios da vida. O livro traz, ainda, informações sobre a história da literatura infantil e juvenil no Brasil e no mundo; o mercado editorial brasileiro, a contribuição dos booktubers para o aumento de leitores e, por fim, oferece dicas práticas para incentivar o hábito de ler em casa, na biblioteca ou na escola.

“Aquele Mês de Abril” contém 164 páginas e custa R$ 45,00 pelo site da Editora Penalux e em outras plataformas de e-commerce, tais como: Amazon, Lojas Americanas, Submarino, Shoptime e Estante virtual. Mais informações sobre a autora ou seus trabalhos estão em website: www.goimardantas.com.br.

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