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A grandiosidade do Nordeste em “A Engenhosa Tragédia de Dulcineia e Trancoso”, novo livro do escritor W. J. Solha

Por: Bookeiro Publish Em: 25/07/2018

W. J. Solha volta à ficção com a criação de um megaespetáculo literário e acaba de lançar seu mais novo livro. Com o título “A Engenhosa Tragédia de Dulcineia e Trancoso”, a obra é um longo poema narrativo com rimas (um “rimance”), típico de uma novela de cavalaria, mas inserida num contexto nordestino e atualizado aos dias de hoje. O livro é uma publicação da Editora Penalux com 98 páginas.

Na trama, uma multidão, sob cobertura internacional da imprensa escrita e televisiva de todo o mundo, se reúne em torno da Pedra do Reino, em São José do Belmonte, sertão pernambucano, a fim de ver o portento da chegada messiânica, anunciada por ninguém menos do que Ariano Suassuna e seu ídolo Miguel de Cervantes, o que tem a ver com o casal que vai se envolver no “milagre” – Trancoso, que é o Quixote do Circo Du Seo Léo, ali presente – e sua amada Dulcineia, uma beldade do lugar, não tão bela, mas que se submete a um banho de loja, pra conquistar seu amado. Com a enormidade em que se torna o evento, as forças armadas cercam a Pedra, com o propósito de explodi-la, detonando gigantesca revolta popular.

Já no título da obra começam as referências literárias que o livro traz. O nome de um dos personagens remonta ao escritor Gonçalo Fernandes Trancoso, um dos primeiros contistas em língua portuguesa. Por conta desse autor, existe no Nordeste a expressão ‘História de Trancoso’, usada para designar qualquer narração mais inventiva que mentirosa. Os aspectos regionalistas emanados da figura fulcral de Ariano Suassuna e a ambivalência humorística de Miguel de Cervantes tecem um “um retrabalho de gêneros discursivos medievais, com forte emulação aos princípios humanistas, filosofantes, ao trovadorismo e às narrativas orais”, como bem aponta Daniel Zanella, editor do jornal RelevO, na orelha do livro.

“Poderia ter feito um cordel”, diz o autor, “mas escolhi algo mais solto: um romance rimado, sempre ágil, aqui e ali sofreado e engrandecido pela solidez do ‘martelo agalopado’ (versos com estrofes de dez decassílabos)”.

A poeta Tânia Du Bois assim a descreve: “É praticamente impossível ler A Engenhosa Tragédia de Dulcineia e Trancoso e não perceber a lucidez lírica em Solha, demonstrada através do seu estilo, conhecimento e competência, que o personaliza pela busca de ampliar os limites do possível nas cenas da vida e transforma o livro em espetáculo, onde o leitor é o espectador.”

Na opinião do crítico Éverton Santos, “a narrativa é ao mesmo tempo mítica e representativa da realidade popular nordestina; seu cantar, nesse Rimance, é inventivo, crítico, simbólico, perspicaz, irônico, um antropofágico monumento que, como as duas Pedras do Reino, é cercado de histórias”.

A obra retoma fatos de nosso passado, a exemplo do romance Pedra Bonita, do Zé Lins, mas dotando-os de elementos contemporâneos, de modo a tornar-se algo como um acontecimento esportivo do porte de uma Copa do Mundo. É o Brasil, na sua revolta sem tamanho, pedindo uma atenção de alcance mundial a favor do seu povo. O livro, em sua originalidade, consagra a beleza mítica do Nordeste - do seu povo a clamar por Justiça e por uma realidade menos sofrida. Por R$ 35,00, está disponível na livraria online da editora (https://bit.ly/2OfohAH).

W. J. Solha tem 77 anos, é de Sorocaba/SP, sendo paraibano há 56. Tem vários romances premiados: “Israel Rêmora” - Prêmio Fernando Chinaglia 1974; “A Canga” - 2º. Prêmio Caixa Econômica de Goiás 1975; “A Batalha de Oliveiros” - Prêmio INL 1988; “Relato de Prócula” - Funarte 2007 e Prêmio João Fagundes de Menezes, da UBE-Rio, 2010. Tem vários poemas longos, dentre eles “Trigal Com Corvos” - Prêmio João Cabral de Melo Neto, UBE-Rio 2005. O autor também se dedicou à pintura (o painel Homenagem a Shakespeare, da reitoria da UFPB é dele) e participou como ator em vários filmes, destacando-se os curtas “A Canga” - de Marcus Vilar, e “Antoninha”, de Laércio Filho; e, entre os longas, “O Som Ao Redor” - de Kleber Mendonça Filho, e “Era Uma Vez Eu, Verônica” - de Marcelo Gomes. Tem publicada também a coletânea “História Universal da Angústia” - Ed. Bertrand Brasil, 2005 - Finalista do Jabuti em 2006; Prêmio Graciliano Ramos, da UBE/Rio 2006.

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