O Dia Nacional do Livro foi instituído oficialmente em 1966, pela Lei nº 5.191, e remonta à criação da Real Biblioteca no Rio de Janeiro em 1810, quando o príncipe regente Dom João trouxe ao Brasil parte do acervo da coroa portuguesa. Esse acervo, com mais de 60 mil volumes, deu origem à atual Fundação Biblioteca Nacional, considerada a maior da América Latina e guardiã da memória literária e documental do país. A efeméride, portanto, não apenas celebra os livros, mas também a história da formação cultural brasileira.
Mais do que um objeto físico, o livro é um instrumento de preservação de ideias, experiências e visões de mundo. Em um cenário marcado pela aceleração digital, a leitura se destaca como uma prática que exige pausa, atenção e reflexão. O Dia Nacional do Livro lembra que abrir um livro é também desacelerar, permitindo que o leitor se conecte com histórias e perspectivas que ampliam sua compreensão da realidade. Essa pausa é essencial para fortalecer a imaginação e o pensamento crítico.
Apesar da relevância cultural, os índices de leitura no Brasil ainda revelam desafios. A pesquisa Retratos da Leitura no Brasil (2024) apontou que apenas 47% dos entrevistados se enquadram como leitores, uma queda em relação aos 52% registrados em 2019. A falta de tempo aparece como a principal barreira, evidenciando que o incentivo à leitura precisa ir além da oferta de livros, incluindo políticas públicas e iniciativas que promovam o hábito no cotidiano.
Nos últimos anos, projetos como a MEC Livros, biblioteca digital gratuita que já ultrapassou 1 milhão de empréstimos, e eventos como a Bienal Internacional do Livro de São Paulo, que em 2026 atraiu 760 mil visitantes, mostram avanços significativos no acesso e no interesse pela leitura. Essas ações reforçam que o Dia Nacional do Livro não é apenas uma celebração simbólica, mas também um convite para ampliar o acesso, democratizar o conhecimento e cultivar o prazer da leitura em todas as gerações.
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