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Entrevista com o poeta carioca Thiago Scarlata sobre “Salobre”, o seu novo livro de poesias

Por: Bookeiro Publish Em: 02/10/2018

Desta vez a nossa entrevista é com o escritor e poeta carioca Thiago Scarlata, vencedor do Concurso MOTUS (Movimento Literário Digital) e Finalista do Prêmio SESC 2016. No bate-papo, ele nos fala um pouco sobre o seu novo livro, “Salobre”, publicado pela Editora Urutau e que será lançado no próximo dia 19 de outubro no Rio.

Thiago Scarlata, além de poeta e escritor, também é músico, possui graduação em História pela Universidade Federal do Rio de Janeiro - UFRJ, e mantém um blog literário no qual publica resenhas, poemas e textos (Blog Literário Croqui). O poeta já teve poemas seus traduzidos para o espanhol, e publicados em antologias, revistas (Gueto, Escamandro, Mallarmagens, Monolito, Janelas Em Rotação, Poesia Brasileira Hoje, Poesia Avulsa, MOTUS, Jornal RelevO e Literatura&Fechadura) e em blogs literários. Em 2017 lançou o seu primeiro livro com o título “Quando Não Olhamos O Relógio, Ele Faz O Que Quer Com O Tempo” (Editora Multifoco).

ENTREVISTA

BP - Sobre o que fala “Salobre”, o seu segundo livro de poesias?

Thiago Scarlata - Há no livro um elemento que perpassa os três capítulos: o sal. Como esse “sal”, interpretado como metáfora ou não, está presente não só nos elementos físicos, mas também em diversos âmbitos sociais, culturais e mentais. Procurei trabalhar com a ambiguidade deste “objeto”. A corrupção (no sentido biológico da coisa) e a transistoriedade de tudo o que faz parte do nosso cotidiano, sobretudo em como encaramos, somos corroídos e afetados (e afetamos) pela brutalidade do mundo que nós mesmo construímos.

BP - Faça um paralelo do “Salobre” com o seu primeiro livro, “Quando Não Olhamos O Relógio, Ele Faz O Que Quer Com O Tempo”. Quais as diferenças e semelhanças entre si?

Thiago Scarlata - Não acredito que um autor se transforme em outro para cada obra. Há muita coisa do primeiro livro que perdura. A coação do tempo sobre tudo e minha perplexidade ante a barbárie - que agora bate à porta com mais força ainda - permanece. A grande diferença, acredito que seja o fato de que em “Salobre” eu tive mais tempo para a organização das ideias. O amadurecimento também foi muito importante para desta vez, eu entregar ao leitor uma obra mais coesa com aquilo que me propus tratar. No primeiro livro, apesar da “temática central” ter sido “o tempo”, não consegui desenvolver e estruturar a obra da maneira que eu (hoje) gostaria.

BP – Fale-nos sobre as especificidades de cada capítulo da obra.

Thiago Scarlata - É a partir do conceito de soro (solução de água, sal e açúcar, para hidratar e alimentar enfermos) que a primeira parte de “Salobre” explora a relação entre o homem e o ambiente. Uma relação travada na crueza e na escassez de um universo pré-urbano ou marginalizado pelo que é citadino, no qual o mínimo significa sobrevivência. A natureza provê a continuidade da existência (#poemas #“salmoura” ou “tutorial para caçar baleias”), não sem desespero (“saco de lixo”) e morte (“Francisca”). Mas a vida persiste para cumprir o objetivo de continuar.

A perspectiva desses poemas é de proximidade, espécie de close-up em pessoas e técnicas que desvenda a constituição de elementos e fazeres, sugerindo o detalhe do que é manufaturado. Ao mesmo tempo em que exemplifica essa escolha estilística, “Sangue branco”, último poema de Soro, também aponta à temática central de Salário, segunda parte do livro: a mecânica explorando e interditando o ambiente, impondo a migração ao urbano.

Nesse urbano (tomado por antenas, ruas e pedestres, carros e semáforos, ônibus e trens), o humano é desterritorializado e reduzido a mera engrenagem da máquina representada pela cidade. E, ao contrário daquilo que era próximo e manual, significativo apesar de sofrido, os poemas de Salário têm a perspectiva ampliada, uma grande-angular para abarcar a impessoalidade da vida em massa.

Encerrando o ciclo do livro, a terceira e última parte intitulada Salinas recupera o sal e o impasse do poema de abertura (“sal”) para propor um desdobramento, que é a própria razão de ser de “Salobre”, palavras do escritor Maurício de Almeida, que assina a orelha do livro. Um capítulo mais abstrato que os dois primeiros, mas que fecha a tríade de abordagens que escolhi.

BP – O mercado de publicações no Brasil é bastante movimentado, e poucos autores conseguem alcançar um espaço onde possa ser bem mais visto. Como você lida com isso e quais expectativas aguarda para o futuro?

Thiago Scarlata - No Brasil e quase no mundo inteiro, quem vende e “aparece” mais é quem faz literatura “pra mercado”. Quem se preocupa em fazer da arte um instrumento pra gerar incômodo, vai naturalmente ficar de fora do mainstrem. Primeiro por que não há espaço nos grandes veículos para essa divulgação de livros sobretudo de pequeno e médio e porte (o mercado, logo, as grandes editoras, dão as cartas), segundo por que culturalmente não há um trabalho de base (com exceções) nas escolas para toda uma mudança de percepção literária desse futuro leitor. Hoje um autor que ganha um prêmio literário importante, de nível nacional, infelizmente não passa dos 500 leitores, e isso serve inclusive para os autores clássicos de peso, como Kafka e Saramago. Para democratizarmos a literatura e fazermos com que ela faça sentido pra quem não tem esse hábito,  temos que antes de mais nada conectá-la com o mundo, com o presente, com a barbárie diária, etc.

BP – Já pensou em publicar algum livro que não seja de poesias?


Thiago Scarlata - Estou trabalhando a ideia de um romance. Mas basicamente tudo o que escrevo está conectado. Eu escrevo sobre o que me incomoda. Nesse sentido, quem ler esse possível romance vai perceber vários pontos de convergência com a minha poesia. Não dá pra desconectar, apesar das fórmulas e modelos serem diferentes.

O livro “Salobre” (Editora Urutau) será lançado no dia 19 deste mês (outubro), às 19:00h na Pizzaria La Carmelita (Rua do Rezende, nº14 – Lapa), no Rio de Janeiro. Os exemplares da obra estarão por R$35,00 no dia do lançamento e posteriormente na loja online da editora.

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