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Poeta e ensaísta portuguesa, Maria João Cantinho, tem obra relançada no Brasil

Por: Bookeiro Publish Em: 10/05/2018

Agraciado com o prestigiado Prêmio Glória de Sant’Anna a obra “Do Ínfimo”, da poeta e ensaísta portuguesa Maria João Cantinho, ganha publicação brasileira pela Editora Penalux e estará disponível no site da editora a partir da segunda quinzena de maio. Cumplicidade, amor pelas coisas pequenas, regresso à infância, empatia. O livro é também uma forma de reavivar o diálogo com autores que marcaram presença na vida e na obra da autora. O livro foi agraciado com o Prêmio Literário Glória de Sant’Anna, em 2017.

“É um lugar de abertura - a um chamado, a uma escuta, ao desejo, sobretudo”, escreve Danielle Magalhães, poeta e doutoranda da UFRJ. Do ínfimo é um livro de passagens, caminhos, jornadas. A isso que existe enquanto chama (na duplicidade desta palavra: verbo e substantivo), que não pode ser capturado nem fixado, que não obedece ao tempo cronológico, mas a um tempo outro, ‘entre a promessa e o exílio’ (‘O eco’), habitando o ‘limiar’, esse entrelugar, isso que não se reduz a um ou a outro, que não chega a ser, que só existe ‘no limiar da sombra ao ser’, que deve permanecer como possibilidade para continuar sendo desejo, que deve permanecer como potência para continuar chamando, ecoando como um chamado tal como nos sonhos ressoa a manifestação de nossos desejos mais ocultos.

O escritor português António Cabrita, por ocasião do lançamento do livro em Portugal, fez a seguinte crítica a respeito da obra: “É um livro de grande equilíbrio, que tem arquitetura e é meditado, denotando ampla consciência do seu ofício. Sendo discursivo não cai no vício da retórica; o seu léxico medido e uma expressividade controlada não perdem de vista os seus efeitos emocionais embora prescinda de se meter em ponta dos pés, no afã de cativar o leitor por um ‘sensacionalismo das imagens’. Nos poemas de Cantinho a ênfase não está no brilho (as imagens fulgurantes) mas antes na justeza das palavras. São versos que testemunham um desencontro com as idealidades, disfóricos, versos de onde se parte ou nos quais se vinca que algo se perdeu e que quando encenam um retorno recortam um céu plúmbeo em fundo. Contudo, a tristeza que neles se plasma foge de consolidar-se como a abstracção de um saber, ou da congelação melancólica. Daí que surdam laivos de revolta e vários poemas reclamem um certo cariz social”.

Maria João Cantinho nasceu em Lisboa (Portugal). É doutorada em Filosofia, e publicou quatro livros de ficção e quatro livros de poesia, três livros infantis, e um livro de ensaio, intitulado “O Anjo Melancólico” (Editora Angelus Novus). É professora, crítica literária e colabora com JL (Jornal das Letras, Artes e Ideias, Colóquio-Letras - Fundação Calouste Gulbenkian), Revista Pessoa e várias revistas acadêmicas e literárias. Tem poesia traduzida em francês, castelhano e alemão. Atualmente tem no prelo um romance e um livro de ensaios.

Para a própria poeta, sua obra atual pretende resgatar a experiência do olhar e do quotidiano. “Olhar para as coisas pequenas e banais”, diz Cantinho, “e descobrir-lhes a luz, a que emana do objeto, mas também da memória, dos fragmentos que se perdem no passado e que nos assaltam como imagens longínquas, auráticas. E assim celebrar o que escapa aos gestos de hoje, à nossa pressa, ao ruído. Uma celebração íntima, que só a linguagem redesperta”, conclui.

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