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Poeta moçambicano resgata os valores e a cultura do país no livro “Kutanga da Terra Viva”

Por: J. B. Novare Em: 09/02/2018

Na obra poética “Kutanga da Terra Viva”, o autor moçambicano Chicassula Tchinquitinculo, principiante na carreira literária, fala da sua identidade, da cultura, dos valores e da unidade nacional, na vertente cultural e social do país. Além de trazer consigo, mensagens de paz e o espírito de irmandade entre negros e brancos, ricos e pobres, governantes e governados. Em parte, o livro traz uma escrita que respeita a mudança de conduta, proporcionando o bom sentido do viver, isto porque o poeta não descreve apenas o que vive, mas vai além de tudo aquilo que lhe circunda.

“Kutanga da Terra Viva” é um livro que começou a ser escrito em 2014, impelido por vários fatores dos quais se destacam: a não valorização da cultura moçambicana; a tensão político-militar que acometeu o país entre 2013 à 2015; e os desamores vividos pelo autor. Chicassula Tchinquitinculo escreveu-o para imortalizar a cultura moçambicana, revisitando alguns escritores do país. “Seus fantasmas literários”, como diz ele, como o poeta José Craveirinha, o Pintor Malangatana Valente Nguenha e o escritor Nelson Saúte.

“O motivo maior que me levou a escrever o livro, foi a vontade de curar as feridas que as convulsões bélicas causaram ao meu país. Vingo-me do tribalismo latente do meu país, e caminho através do verbo: os becos, com protestos e lamentos. Grito pela unidade nacional”, cita o autor Chicassula.

“Kutanga” vem do dialeto “ndau”, e significa começar. Empregado ao título do livro pelo fato de ser o primeiro publicado do autor. O livro tange e enfatiza aspectos socioculturais e políticos, porém, incorporados em versos. Nele, o poeta tenta explanar a realidade, mas de forma alegórica, pretendendo levar às pessoas a refletirem a cerca das coisas que nos circundam. “Pretendo com este livro, intervir de forma positiva nos aspectos políticos e sociais, enaltecendo o espírito de moçambicanidade e o sentido da unidade nacional”, diz Chicassula Tchinquitinculo.

A expressão “Terra Viva” vem para dar ênfase ao “Kutanga”, de modo que o sentido seja mais vivo e expressivo, uma vez que trata˗se de poemas interventivos, visando trazer uma percepção nova no concernente ao país e ao povo. O título é por conta disso fruto de uma criação artística que resulta da junção de uma língua nacional misturado com o português, com o fim estilístico de deleitar os ouvidos e suscitar curiosidades. “Kutanga da Terra Viva” é, na verdade, uma vida para outras vidas, neste caso: do poeta para o povo Moçambicano. Não só destes aspectos, fala o livro, visto que fala do próprio autor, em pequena dimensão, da cultura, do turismo ou daquilo que Moçambique tem em termos culturais e turísticos, destacando os lugares de atração turística (como a praia de Bilene, na província de Gaza, e a Ilha de Moçambique em Nampula).

Chicassula Tchinquitinculo é o pseudônimo moçambicano de Fernando da Basílha Modesto Cambedza, nascido em Abril de 1998 no Distrito de Marromeu, Província de Sofala, em Moçambique. Filho de Modesto Cambedza Mofath e de Basílha João Matepo. Órfão de mãe, um exímio declamador, escritor principiante, e membro˗fundador da Associação Literária “Kulemba”-  fundada na cidade da Beira. É colaborador da revista “Soletras” - a sopradora de letras - fundada na mesma cidade, membro da Comissão dos poetas da Casa Provincial de Cultura de Sofala - Beira, onde se encontra adstrito fazendo trabalhos em prol da cultura a título filantrópico, membro da W-Carp Mozambique - Associação Internacional de Estudantes Universitários em Moçambique, com sede geral nos EUA, estudante da Faculdade de Direito da Universidade Eduardo Mondlane,  em Maputo, capital moçambicana, onde o autor vive atualmente.

Desde muito cedo, Chicassula começou a escrever, com 11 anos de idade. Participou de alguns festivais: Festival de Artes Young África, na cidade Beira, nas edições de 2013 e 2015, onde foi vencedor em primeiro lugar; Festival Nacional de Cultura (Moçambique), edições 2010 e 2014, com representatividade do Distrito de Nhamatanda e da Cidade da Beira, respectivamente; Primeiro Festival de Poesia na Beira, edição 2015, sendo  vencedor do primeiro lugar. Divulgou alguns dos seus poemas na Rádio Cidade na Beira, no programa estudantil "A Voz do Estudante”. Enquanto poeta, contribuiu para a consolidação da Paz em Moçambique, através da realização de bailados, com os membros das bandas musicais internacionais de Moçambique “Djaakas”, “Mussodji” e com os bailarinos profissionais da “Casa de Sonhos”, na cidade da Beira. Divulgou o poema “Eu Narro Sangue” na revista brasileira “Ventos do Sul” na página Vozes d´Africa em 2016. O livro “Kutanga da Terra Viva” já foi lançado na Casa do Artista, na Cidade da Beira, em 2016, e em 2017 na Associação dos Escritores Moçambicanos, na capital Maputo.

O público-alvo do livro não se reporta a faixa etária. Todos e qualquer um pode adquirir a obra, pois através dele o poeta traz algo benéfico para os que pretendem conhecer melhor o Moçambique, a sua identidade e a cultura do país. O livro contém cerca de 74 páginas (impresso) e está à venda por MT 300,00 meticais (R$ 16,20) na Casa do Artista e na Galeria de Artes Massoko O’Beira (na cidade de Beira), ou pelo e-mail chikassula@gmail.com.

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