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Mundo habitado apenas por crianças compõe o livro de fantasia “O Rei Adulto”, do carioca Helio Jaques

Por: J. B. Novare Em: 11/12/2017

“O Rei Adulto” é o primeiro volume de um livro de fantasia escrito pela carioca Helio Jaques. O livro é um lançamento da Editora AZO Agência Literária, possui 354 páginas e está por R$ 5,90 (digital) e R$ 35,00 (físico) na página do autor na internet (https://goo.gl/Smxy6p). O lançamento da obra ocorrerá no dia 20 de dezembro, das 16 às 20 horas no Observatório do Valongo (Ladeira Pedro Antônio, 43), no Rio de Janeiro/RJ com seção de autógrafos e distribuição de marcadores. A entrada será livre e os exemplares vendidos no dia terão descontos de 15%, sem adicional de frete.

Na história, há um mundo habitado apenas por crianças, e Êisdur é um menino de 11 anos que busca o paradeiro de seu irmão mais velho, o qual desapareceu após chegar à adolescência. Segundo as lendas, todas essas crianças crescidas cruzam o rio das Lágrimas e ingressam no “mundo dos que se foram” do qual nenhuma retorna mais. Êisdur nutre a expectativa de que poderá fazer seu irmão voltar ao “mundo das crianças”. Para isso parte numa missão em busca do lendário Rei Adulto, reputado como a única pessoa que cresceu sem deixar de ser criança. Outras crianças se juntam a sua busca, por motivos diversos: um ladrãozinho, um cavaleiro e sua irmã, um mago, um mascate trambiqueiro e uma tenente. Juntos recebem o importante título de “suprapátria”, uma rara deferência aos que partem em uma missão de suma urgência, que está acima dos interesses de todos os reinos infantis. Todavia, a missão dos suprapátrias não será tão simples.

Problemas crônicos vêm ameaçando o mundo infantil, o qual, com o passar dos anos, vem sendo cada vez mais descaracterizado pelo advento de plantas miraculosas chamadas “plantas de imaginar”, que são usadas como substitutos instantâneos para a faculdade inerente às crianças, sobre a qual os alicerces de seu mundo foi construído: a imaginação. Além disso, nem todos parecem dispostos a facilitar-lhes as coisas. Seu título desperta admiração e reverência em muitos, mas, igualmente, despeito, cobiça ou indiferença em considerável número de pessoas. Êisdur e seus amigos cedo percebem que terão também que buscar uma solução para o mal das plantas de imaginar, para que ainda tenham um mundo em que viver, após estarem com o rei.

Mesmo envolvendo crianças, o livro não foi escrito para o público infantil, mas sim para adolescentes e jovens adultos. Crianças de 10 anos podem achá-lo bastante divertido, mas talvez tenham dificuldade com a linguagem. De 12 a 14 anos, o tema parecerá bastante cativante, devido à saída da infância que estes experimentam. Idades acima de 15 gostarão do livro pela nostalgia que ele passa. Embora tenha sido escrita inicialmente como se fosse um único volume, a história teve de ser dividida em dois livros, devidos ao tamanho total. O segundo volume, ainda inédito, já está totalmente escrito e terá pouco menos de 500 páginas. O seu lançamento deverá acontecer em 2018.

O livro traz cinco mapas desenhados a nanquim. Tanto esses mapas quanto o contexto "político" e social que o autor usou para representar o Mundo das Crianças são parte da atração da história. Há muito detalhe, como Tolkien colocou na criação da Terra Média. Esse detalhamento também se refletiu no trato com o idioma. As crianças do Sul usam um português mais parecido com o do Brasil. As crianças do Norte, usam um português europeu. E há ainda um grupo que fala em português arcaico, do século XIII, um reino infantil que usa um português etimológico e outro que fala "errado" e com gírias de áreas pobres do sudeste brasileiro. Essas variantes foram usadas para caracterizar cada região do mundo infantil, dando ao leitor (e ao protagonista) a sensação de estar, de fato, caminhando por culturas diversas enquanto busca pelo Rei Adulto. Até quando entra na floresta, encontra crianças que falam tupi antigo. Ou quando precisam falar em código, para não serem descobertos, usam a língua-do-pê.

Sobre a ideia da obra, Helio Jaques destaca: “Quando eu tinha 19 anos, li A História Sem Fim, do Michael Ende. Esse livro fala sobre o importante papel que temos ao criar novas histórias, povoando o mundo da imaginação humana, que ele chama de Fantasia. Naquele momento senti vontade de escrever uma história, que falaria sobre a dificuldade de amadurecer, de abandonar o paraíso criativo da infância e adentrar a vida adulta, uma insegurança e desconforto que eu mesmo sentia. Foi daí que nasceu O Rei Adulto. Mas terminar essa história, no meio de tantos outros compromissos acadêmicos, como graduação, mestrado, doutorado, e meu próprio processo de amadurecimento, levou ao todo 10 anos”.

Helio Jaques é o pseudônimo artístico e literário do autor carioca Helio Jaques Rocha Pinto. Atualmente reside no Rio de Janeiro, embora já tenha morado antes em Angra dos Reis, São Paulo e em Charlottesville, nos EUA. Desde os 18 anos, estudou para formar-se em Astronomia, tendo completado a graduação pela UFRJ, em 1993. O mestrado em Astronomia foi pela USP, em 1996, e o doutorado, também pela mesma instituição, no ano de 2000. Depois disso, foi pesquisador associado nos EUA, entre 2001 e 2004, quando regressou ao Rio de Janeiro, como professor de Astronomia da UFRJ.

Sua vida acadêmica, portanto, é totalmente voltada para a Astronomia. Em termos de representação profissional, atualmente é diretor do Observatório do Valongo e secretário-geral da Sociedade Astronômica Brasileira. Seus projetos de pesquisa lidam com estrutura e evolução da Galáxia, um tema bem distante do público, em geral. Helio Jaques também já foi revisor técnico do livro Astronomia para Leigos, da editora Altabooks, e traduziu o Atlas Ilustrado do Universo, da Seleções Reader's Digest.

“Apesar desse foco claro em ciência, tenho outros interesses pessoais, como literatura e linguística. Já escrevi muita poesia, quando era moço. E a partir de 1991 dei início a uma obra de maior fôlego: meu livro O Rei Adulto, que se assenhorou de boa parte de meu tempo livre e criatividade ao longo de 10 anos”, revela o autor, que usa uma página no Facebook (www.facebook.com/oreiadulto) e um blog (www.oreiadulto.blogspot.com.br) para divulgar o seu livro. Atualmente Helio Jaques está traduzindo um antigo livro de nomes estelares, para o Português.

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